Aos companheiros de luta de colegas de profissão, repassamos
abaixo teor do e-mail que recebemos do Dr. Wu Kwang nosso companheiro
e eterno defensor da Acupuntura como uma pratica multiprofissional.
O SATOSP agradece em nome de todos os profissionais de Acupuntura ao
Dr. Wu por tudo que tem feito pela profissão.
"Aquela votação no Plenário da noite de 21
de outubro foi teatro.
A verdadeira votação ocorreu nos bastidores entre as lideranças
partidárias, somente os grandes partidos.
Os pequenos partidos nem tiveram oportunidade de manifestar.
E as lideranças fizeram as troca-trocas, sacrificar os profissionais
de saúde no PL do Ato Médico para ganhar nos 4 PLs do
Pré-Sal da próximas semana.
Viram, estamos ficando importantes, a nossa campanha de emails e telefonemas
está valendo Bilhões de Reais, serviu de moeda de troca
entre os grandes partidos (PMDB, PT, DEM e PSDB)!
Conseguimos colocar 60 profissionais de saude no Plenario, e vieram
tambem 60 medicos (segundo Tatiana Miranda de Goiania) no dia da votação.
O médico Eleuses Paiva (ex-presidente da Assoc. Med. Brasileira),
pelo art 180 do Regimento Interno da Câmara, nem deveria estar
como relator do CSSF. Entretanto, neste Brasil, neste Congresso, tudo
pode acontecer: Mensalão, Bilhetes Aereos, Nepotismo de Sarney...
Ele queria na ultima hora dá o grande golpe, arrancar este trecho
já que o PL é sobre Ato Medico, não precisa falar
das outras profissões:
§ 7º São resguardadas as competências específicas
das profissões de assistente social, biólogo, biomédico,
enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo,
nutricionista, profissional de educação física,
psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo
de radiologia.
Celso Russomano (PP-SP), acionado por Eduardo Brasil, teve que assumir
a liderança do PP por 1 dia para poder participar das negociações
e a muito custo, conseguiu preservar o § 7º.
Os Fonoaudiólogos foram traídos pelos médicos,
deram apoio ao CFM na condição de manter suas atividades.
Entretanto, Eleuses Paiva recolocou Diagnóstico Cinesiofuncional
e Funcional como exclusividade médica. O deputado Pedro Wilson
(PT-GO) tentou salvar Fono com Emenda de Plenário, mas foi rejeitada.
O deputado José Genoíno (PT-SP) entrou com Emenda de Plenário
para salvaguardar as futuras profissões de saúde. Não
sei o que aconteceu, mas foi acatada. Acho que os médicos dormiram
no ponto. Eleuses Paiva deu uma bobeada."
Aos companheiros de luta de colegas de profissão, repassamos
abaixo teor do e-mail que recebemos do companheiro Tovar Nogueira Fonseca
do IMAM do Rio de Janeiro, que esteve sempre presente nas audiência
e votações do Ato médico.
O SATOSP agradece em nome de todos os profissionais de Acupuntura ao
companheiro Tovar e esta de pleno acordo com suas esplanações.
Portanto não temos que temer tanto o projeto do Ato Medico, em
hora alguma o projeto sita a Acupuntura, e por varias vezes ouvimos
tanto por parte dos Srs. Medicos, do CFM, da representante do Ministério
da Saúde e dos Srs. Parlamentares, durante as audiências
publicas realizadas em Brasilia, que o PL do Ato Médico, não
tinha como objetivo, coibir a pratica da Acupuntura.
Portanto companheiros a luta deve continuar mas não contra o
PL do Ato Médico, pois esta é uma profissão necessária
para qualquer povo e portanto com direito a sua regulamentação,
assim tambem o é com a Acupuntura, e temos que voltar nossos
esforços para que esta seja regulamentada como mais uma profissão
da area da Saude, como ocorre na maioria dos paises.
Precisamos de você companheiro para continuarmos nessa luta.
Esta é a opinião do Sindicato dos Acupunturistas e Terapias
Orientais do Estado de São Paulo - SATOSP.
Odair Carlos Sabioni
"Companheiros
Na quatro últimas semanas, estive em Brasília, na companhia
do Eduardo Brasil (de São Paulo), além dos companheiros
Ghandi Trópia (de Salvador) e André Kopke (do Rio de Janeiro),
para tentar colocar no texto do PL do Ato Médico propostas que
viessem a deixar claro que a Acupuntura não é exclusividade
médica.A estes colegas, meu agradecimento e minha admiração.
Infelizmente não conseguimos êxito e o PL 7703/06 foi
aprovado com lacunas no texto que podem ensejar interpretações
errôneas sobre a prática da Acupuntura.
Prática da Acupuntura e Diagnóstico Nosológico
O assunto diretamente relacionado à nossa prática profissional
é a Acupuntura. O texto do PL não menciona de forma clara
se a Acupuntura é ou não exclusividade médica.
Os médicos afirmam que não pretendem a prática
exclusiva da Acupuntura. Durante a votação do PL no plenário
da Câmara, o Deputado Darcísio Perondi, médico,
afirmou que os médicos concordam com a posição
do Ministério da Saúde de que a Acupuntura é prática
multiprofissional, mas isto não está claro no corpo do
PL. Com esta fala, conseguiu que Deputados que haviam se comprometido
com a nossa defesa votassem pela aprovação do Ato Médico.
O problema é que a palavra dele não vai valer nada se
o Conselho Federal de Medicina entrar na Justiça para obter a
exclusividade da Acupuntura. Sinceramente não tenho medo desta
batalha judicial, se vier a acontecer, pois já a ganhamos uma
vez e mudar o que já foi decidido pela Justiça, seria
caçar direitos adquiridos.
Então porque batalhamos tanto pela modificação
do PL? Porque além do tempo e do dinheiro que serão necessários
caso haja a disputa na Justiça, existe o problema da insegurança
gerada em nossa categoria e nos estudantes de Acupuntura, gerada por
notícias estrategicamente plantadas neste intuito. De forma geral,
sinto que o texto deste PL é um retrocesso e por isto trabalhamos
tanto para modificá-lo.
Na questão do diagnóstico nosológico, o texto
do PL é o seguinte:
Art. 4o São atividades privativas do médico:
I- Formulação do diagnóstico nosológico
e respectiva prescrição terapêutica;
É também importante mostrar o Parágrafo 2o do
Artigo 4o que diz o seguinte:
II - Não são privativos do médico os diagnósticos
funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional
e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades
mental, sensorial e percepto-cognitiva.
Sendo assim, fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, nutricionistas
e terapeutas ocupacionais terão mantidas suas prerrogativas de
diagnosticar.
Mas isto mantém a tensão entre os demais profissionais
da saúde acupunturistas, além daqueles que tem formação
técnica, pois sem poder diagnosticar e (principalmente) prescrever,
necessitarão que outros profissionais (no caso os médicos)
indiquem o procedimento para que possamos atuar. Serão então
"escravos profissionais", que para trabalhar, deverão
pagar porcentagem aos médicos, a exemplo do que ocorre com as
clínicas que prestam serviços de fisioterapia para uma
grande cooperativa médica.
Os médicos argumentam que nada mudará em relação
às demais profissões (e também neste caso para
os Acupunturistas pós-graduados), pois estas estão protegidas
pelo Parágrafo 7o do Artigo 4o (que trata das atividades privativas
dos médicos), que diz:
O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas
as competências próprias das profissões de assistente
social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico,
fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de
educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional,
técnico e tecnólogo em radiologia.
O problema está na expressão "competências
próprias", pois para alguns, "competências próprias"
seria somente aquilo que está definido na Lei que regulamenta
as profissões, ou seja, como algumas profissões foram
regulamentadas muito tempo atrás, somente aquilo que está
definido em Lei seria competência própria.
Particularmente acho esta interpretação bastante limitada,
pois tem sido de praxe em nosso país que os Conselhos Profissionais
estabeleçam o que cada profissional pode ou não fazer,
como forma de atualizar as técnicas e procedimentos, que mudam
de forma bastante rápida hoje em dia. Um bom exemplo desta questão
é que o Artigo 7o do PL do Ato Médico dá ao CFM
a prerrogativa de editar normas do que seja permitido e proibido aos
médicos, sendo que pelos princípios constitucionais de
proporcionalidade e razoabilidade, todos os demais Conselhos também
obterão esta prerrogativa e assim todos os profissionais da saúde
estarão protegidos e os técnicos já formados, estarão
protegidos pelo Direito Adquirido.
Existe um dito popular de que da Justiça pode-se esperar qualquer
tipo de veredito, mas a verdade é que a Justiça brasileira
tem nos dados repetidas provas de que respeita nosso direito ao trabalho.
Conclusão
No curto prazo a aprovação do PL do Ato Médico
não mudará nada em relação à Acupuntura
ou às profissões da saúde, mas teria sido muito
bom se nós tivéssemos modificado o texto para que futuros
problemas pudessem ser evitados.
Mas fica a possibilidade de derrubarmos o texto deste PL no Senado
ou de defendermos (como já fizemos com sucesso) nosso direito
ao trabalho na Justiça.
Gostaria de deixar clara MINHAOPINIÃO, de que devemos combater
ao máximo este PL no Senado, mas caso este seja aprovado e sancionado
pelo Presidente da República, vamos conseguir manter na Justiça
o que já é nosso: o sagrado direito ao trabalho.
A luta não pode parar.
Tovar Nogueira Fonseca
PS: Fiz questão de deixar claro que esta é a MINHA opinião.
Esta opinião é sempre passível de mudança,
desde que os colegas tenham a bondade de me esclarecer, corrigir ou
sugerir, o que aceitarei de bom grado, pois se nesta batalha aprendi
alguma coisa, é que várias cabeças pensam e realizam
mais que uma."
Um projeto de lei com 90 emendas significa que foi mal escrito e contraria
muita gente... Entretanto neste Congresso vale mais a troca-troca de votos.
Precisam ler o texto, interpretar ao pé da letra, avaliar inconstitucionalidades,
conferir na Constituição as competencias do Legislativo
e do Executivo, direitos adquiridos de cada profissão etc.
Temos que mandar emails de agradecimentos para os seguintes deputados
que trabalharam muito:
Celso Russomano (PP-SP)
Alice Portugal
Chico Alencar
Lobbe Neto
Gorete Pereira
Vanessa Grazziotin
Maria do Rosario
Nelson Marquezeli
Manuela D`Ávila (PCdoB-RS)
Cida Diogo (PT-RJ)
José Genoíno (PT-SP)
Pedro Wilson (PT-GO)
Edgar Moury (PMDB-PE)
Índio da Costa (DEM-RJ)
Vicentinho (PT-SP)
Duarte Nogueira (PSDB-SP)
William Woo (PPS-SP)
Elcione Barbalho (PMDB-PA)
Marco Maia (PT-RS)
Paulinho da Força (PDT-SP)
Thelma de Oliveira (PSDB-MT)
Nelson Pellegrino (PT-BA)
Roberto Santiago (PV-SP)
Edinho Bez (PMDB-SC)
Alex Canziani (PTB/PR)
Wilson Picler (PDT-PR)
Paulo Rubem Santiago (PDT-PE)
Jô Moraes (MG)
Júlio Delgado (PSB-MG)
Takayama (PSC-PR)
Sabino Castelo Branco (PDT-AM)
e para Aline Correa, que é a nossa relatora dos PLs da Acupuntura,
apresentará relatorio na CSSF, e para tanto veio a São Paulo
fazer uma audencia publica dos PLs. da regulamentação da
Acupuntura, audiencia publica essa que foi aberta à todas as profissões
da Saúde, da qual achamos que a Deputada saiu com muitoboa impressão
das nossas intenções, e que os médicos tentaram reverter,
marcanto posteriormente uma reunião fechada na qual foi proibida
a entrada de representantes de qualquer das outras profissões da
area da Saúde. Entretanto achamos que só por esse fato de
não se permitida a participação de outras profissões
a Deputada percebeu que aquilo que foi dito nessa reunião não
se trata da verdade sobre a Acupuntura.